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Maurício Capela: À espera de um time (competitivo!)

Lusa não tem mais tempo a perder com apostas; ela precisa de uma equipe competitiva que dispute um Paulista com brilho e sobre na Série D

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Foto: Rodrigo Moura/Portuguesa

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Prestar contas é algo saudável. Salutar mesmo. Demonstra respeito, cumprimento das funções e do contrato. Também é cordial e é, acima de tudo, correto na relação entre investidores e associação, como a reunião de prestação de contas feita há dois dias no Canindé. Ou normal, como definiu o presidente da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) da Portuguesa, Alex Bourgeois.

+ Bourgeois fala em novo Canindé como “maior e mais moderno estádio de São Paulo”

O que não é normal é a Portuguesa ter sido eliminada precocemente na Série D nacional em 2025. Tudo bem, tudo bem, medidas estão sendo tomadas, erros reconhecidos, mas vamos lá… Vamos lá, porque parece que é só pular a folha do calendário e tudo estará bem como num passe de mágica. E não está.

A Portuguesa, com todo respeito, precisa de investimento no futebol. De um time à altura de suas tradições para a disputa do Campeonato Paulista de 2026. E não falo aqui de tacadas de mestre ou sonhos tentadores, como a oferta feita ao ex-atacante português Nani, como ocorreu em 2025. Falo de competitividade.

A Portuguesa não pode se dar ao luxo de esperar mais. A torcida envelheceu. Muitos já não reúnem condições físicas de irem a um campo de futebol. Muitos acompanham de longe, pelas transmissões no YouTube ou mesmo pelas plataformas em áudio espalhadas pelo maravilhoso mundo digital.

A Portuguesa não tem mais o tempo que tinha antes. E eu tenho certeza de que os investidores rubro-verdes conhecem as métricas as quais me refiro para medir engajamento, popularidade, percepção de marca e por aí vamos. Tudo isso, eu sei, eles sabem, movimenta dinheiro. Muito dinheiro.

Portanto, sendo direito, a Portuguesa precisa fazer jogos incríveis, disputar títulos, mexer com o brio do torcedor.

A Portuguesa precisa de ídolos. De jogadores de renome.

A Portuguesa precisa engajar, entusiasmar o seu torcedor, incutir nele o lamentar de não ter ido aquele jogo específico. A Portuguesa precisa empolgar.

Antônio Carlos Castanheira, quando presidente, e a diretoria, montaram times interessantes ainda que com parcos recursos. Venceram uma Copa Paulista, a de 2020, no ano do centenário. Trouxeram o time à primeira divisão do Paulista. Caíram na Série D e em Copas Paulistas, mas não havia “plata”. Não tinha. O cobertor era curto demais para o que a torcida pedia, e exigia, com toda razão.

Agora, não. Agora, a Lusa é SAF. Agora, 80% da Portuguesa não está mais nas mãos dessa gente, não é mesmo?!?

O fato é que a Portuguesa tinha um time no limite para essa Série D. E o que chamo de no limite. Um time ajustado. Que poderia vencer fora de casa com alguma facilidade, como poderia ser constrangida em seu estádio. Era um time ok. Organizado, mas limitado. Sem brilho. Sem jogadores capazes de decidir um jogo em um lance.

Com esse nível de plantel, o Paulista de 26 será um desastre. Sem medo de errar. D-e-s-a-s-t-r-e. Anote.

Eu sei que a Série D é um obstáculo. Jogador quer atuar nos 4 meses do Paulista e correr para bem longe da quarta divisão nacional. É claro. Mas ninguém disse que recuperar a Portuguesa seria fácil, disse?

A Lusa precisa – já nem sei quantos “precisa” eu escrevi, mas garanto que todos são pertinentes – encontrar um ponto de equilíbrio. Porque a Portuguesa p-r-e-c-i-s-a de um time. E como SAF temos condições de investir mais e melhor.

Então, o que eu espero para 2026? Eu espero uma equipe competitiva no Paulista e sobrando na Série D. Sobrando como àquela que montamos em 2007 e conquistamos o acesso ao Paulista da Série A1 e à Série A do Brasileiro no mesmo ano.

Sabemos fazer. Já fizemos. E espero que façamos novamente.

Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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