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Maurício Capela: Obviedades sorrateiras

Classificada de maneira antecipada para a segunda fase da Série D nacional, a Portuguesa precisa entrar no confronto de mata-mata concentrada e ciosa dos obstáculos, e não encarando como se a fase fosse um pedágio obrigatório e pesaroso de passagem em direção às oitavas

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Quarta melhor campanha da fase de grupos da Série D nacional, entre as sete melhores defesas da competição e quinto melhor ataque do certame. Estas foram as credenciais da Lusa na fase de grupos da Série D em 2025.

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Muito embora a campanha tenha sido exitosa, uma vez que se classificou com folga em primeira no seu grupo, o A6, a Portuguesa precisa entender as obviedades que se apresentam nessa caminhada até a Série C. Porque essa é uma coluna que vai falar de obviedades, claras, cristalinas, evidentes, mas que precisam ser levadas em conta. Sem essa conscientização, o sonho da C vai se transferir para 2027.

A primeira das obviedades é entender que o mata-mata pede concentração. Muita. Porque nada se resolverá em um único jogo. Ter 180 minutos à disposição será ouro numa fase como essa, uma vez que os clubes simplesmente jogam para ter ou não o que fazer em 2025. Imagine o que seria para a Lusa, por exemplo, parar suas atividades em pleno mês de agosto. Um caos.

Agora, se para ela, já seria um grande problema, imagine para os demais. Porque para muitos, seria simplesmente não ter emprego até o início de 2026.

Portanto, a Lusa precisa chutar para bem longe do Canindé qualquer ilusão. Qualquer sentimento hegemônico em função dos bons números da primeira fase. E essa é a segunda obviedade. Porque se for cooptada pelo favoritismo, esquece, a Portuguesa vai voltar a disputar a Série D em 2026.

Terceiro ponto obvio: imaginar que fatores externos não entram em campo, como política, políticos e tudo mais que cerca a ascensão de um clube do interior do Brasil ou mesmo deslocado dos grandes centros do País.

Ter um time na Série C para muitos estados significa prestígio. Prestígio social, econômico e cultural. Porque arregimenta olhares e credencia para outros voos.

O Mixto do Mato Grosso, por exemplo, não foge à regra. Se classificou em quarto no seu grupo, o A5, e ficou na 17ª. colocação no geral. Fez o mesmo número de gols que a Lusa, 22, e tomou o mesmo número de tentos também, 13. Mas esteve longe de ser hegemônico como a Portuguesa o foi em seu grupo.

Se olharmos somente para os indicadores, vamos perceber, logo de cara, que o compromisso será duríssimo. Concentração e humildade serão fundamentais para que a Portuguesa passe às oitavas de final do torneio.

Já no que diz respeito à terceira obviedade citada nessa coluna, é claro que a rivalidade em direção ao Cuiabá, que já esteve na primeira divisão nacional, precisa fazer com que a Lusa ligue o alerta. O Mixto sempre foi um dos grandes clubes famosos de Mato Grosso, mas com a ascensão do Cuiabá, naturalmente perdeu verniz. E isso incomoda.

Trocando em miúdos, se entrar desconcentrada, achando que resolverá o jogo quando lhe aprouver, desconsiderando os aspectos regionais de pressão, será eliminada sem dó. Agora, se estiver concentrada desde o primeiro minuto, entendendo o que significa o jogo para o adversário, as chances de a Lusa estar na próxima fase serão enormes, uma vez que a campanha falar por si. E o futebol praticado também.

Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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