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Por Luiz Nascimento, ao GloboEsporte.com
Não vou negar. Cheguei a duvidar que teríamos motivos para comemorar. Por um momento, pensei que o único sentimento positivo seria o alívio por termos sobrevivido. Mesmo assim, ainda desconfiei dessa sobrevivência. Será que não estávamos apenas evitando o luto?
É que doeu muito. Na verdade, ainda dói. Não merecíamos passar por tudo isso. Seus primeiros tombos frustraram, revoltaram, mas continuamos na arquibancada. Mesmo longe de clássicos, finais e taças, encontramos forças para nos reerguer e voltar ao nosso lugar.
Os muitos que torcem esperavam que os poucos que comandam fossem mudar. Fomos traídos mais uma vez. E de uma forma que nem o mais cruel adversário imaginaria. Você ficou no campo com muito custo, sob a luz dos holofotes. Mas foi tirada dali nos bastidores, nas sombras.
O pior? Os adversários não estavam apenas fora dos muros do Canindé. Estavam ali dentro. Não na arquibancada e no alambrado, mas nas tribunas e nas alamedas. Sumiram rápido. Foram embora e deixaram você em frangalhos. Quem foram os que ficaram? Nós.
Ficamos para ver sua camisa rubro-verde deixar os gramados da elite nacional para amargar meses sem futebol. Sem divisão. Seis presidentes em cinco anos. Complexo aquático demolido, areião asfaltado, Caldo Verde fechado, Tri-Fita no passado. Até a gruta de Fátima foi abandonada.
O Canindé deixou de receber jogos para ser palco de baladas, raves e eventos religiosos. Não bastou nos obrigarem a ver centenas de jogadores trazidos por empresários e dezenas de treinadores que nem sabiam a cor da grama. Fizeram questão de nos ver distantes.
Chegamos à bilheteria e quiseram nos vender ingressos a R$ 100,00. Criamos expectativa de um ressurgimento e tiraram os jogos da nossa casa. Tentaram nos obrigar a ver partidas na segunda-feira, em noites frias, em campos vazios, sem qualquer respeito ou dignidade.
Não era justo. Não. Não merecíamos. Nunca exigimos craques de renome, finais de campeonato todos os anos, taças de tudo que disputávamos, arena luxuosa. A única coisa que pedíamos era um time que honrasse nossas cores, nossa história, nossa origem.
Sim, nossa origem. Nossos avós, nossos pais, nossos irmãos. Aqueles que deixaram a própria casa para erguer outra, do outro lado do mundo. Enfrentaram dificuldades, tribulações, resistência. Batalharam duro e construíram por aqui um pequeno Portugal.
Quebraram preconceitos, atraíram quem aqui estava e contagiaram o Brasil. Você virou o clube da amizade, o orgulho da cidade. A melhor festa junina de São Paulo. O recorde de 100 mil sócios. Levantamos um estádio do zero com base apenas no esforço dos nossos.
Você virou base da seleção paulista, formou metade da seleção brasileira, rodou o mundo dando aula de bola com a bandeira verde e amarela. Virou celeiro de craques, conquistou um lugar entre os grandes, protagonizou clássicos e beliscou títulos.
Emociona. Chego a esse parágrafo já em lágrimas. Lembro do abraço no meu pai após escaparmos de um rebaixamento, da comemoração com meu avô em um dos nossos acessos, do consolo da minha mãe em tantas derrotas traiçoeiras.
Não vou negar. Cheguei a duvidar que teríamos motivos para comemorar. Mas estou aqui, escrevendo sobre o seu centenário, com a camisa separada para vestir ao sair de casa, fazendo planos para sua volta aos gramados, imaginando meus filhos comigo no Canindé.
Ainda dói. Dói bastante. Não merecíamos passar por tudo isso. Só que chegamos aqui vivos. Resistimos. Nossos olhos brilham ao ver sua camisa. Nosso peito enche de orgulho ao lembrar sua história. Seu futuro? Depende só de uma coisa: nosso amor. Vem, Lusa, vamos voltar!
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