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99 anos. Mas não há festa, não há bolo ou o que comemorar. Só há um silêncio profundo, repleto de nostalgia, que é o que sobra quando não há um presente para se viver ou um futuro para mirar.
A Portuguesa como conhecemos não existe mais. A camisa verde encarnada está lá, a Cruz de Avis também, mas não é ela.
Como um zumbi, que ainda preserva algumas feições de quando estava vivo e a roupa do corpo. Viramos isso. Perambulando sem direção pelos porões do futebol.
Talvez seja algo inédito na história. Um clube, à beira do centenário, estar numa situação pior do que a de sua fundação.
E não venham apontar este ou aquele caso como responsável por isso. Não existe má sorte ou perseguição. Chegamos aqui com as próprias pernas, através de inúmeras gestões incompetentes ou má intencionadas.
Enquanto na arquibancada todos querem o bem do clube, nos salões, sejam eles nobres ou não, todos olham para o próprio umbigo.
E assim descemos divisão por divisão, desfazemos nosso patrimônio em troca de nada e vamos desaparecendo.
A história? Pegando pó, perdida em meio a cultos, shows e qualquer outra coisa que renda alguns trocados. Só não sabemos para quem…
Por Elcio Mendonça
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