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Edgar Lopes: Mudança de postura, essa é a ordem do dia

Portuguesa perdeu de virada do Paysandu, deu adeus à Copa do Brasil e agora terá de priorizar o acesso à Série C

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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No infinito mundo da internet frases e pensamentos (quase sempre motivacionais) são atribuídas a um sem-fim de personalidades. Que o digam Clarice Lispector, Mário Quintana, Mark Twain, só para ficar nestes exemplos. Uma dessas frases, amada entre 11 de 10 coaches e CEOs, é “mar calmo nunca fez bom marinheiro”, que pulula LinkedIn e Instagram.

Esse chavão, sem dúvida alguma, pode ser aplicado à Portuguesa pelo que ocorreu ontem. (Falamos de arbitragem adiante). A derrota para o Paysandu na noite da última terça-feira (17) reforça a mensagem e pede mudança de pensamento e ações imediatas. Confesso que, para minha surpresa, foi exatamente isso que cobrou Alex Bourgeois, conforme noticiou este portal. Logo quem? Um CEO.  

“Precisamos virar algumas chaves, e uma delas é sustentar resultado”. E completou: “A Portuguesa que estamos construindo precisa ser vencedora na cabeça para superar adversidades.”

A verdade é que jamais vimos outro time semelhante àquele que enfrentou o Corinthians, no Canindé, e levou o gol de empate nos estertores da partida. Os jogos contra Altos-PI e Avaí foram bons, mas não traduziram superioridade. Bem ao contrário. Havia em ambos sinais claros de que o time desligava, pecava em dar espaços demais e contou com boas doses de sorte para avançar na Copa do Brasil. 

Se no jogo contra o Corinthians o placar poderia ter sido de 3 a 0 pelo que fez no primeiro tempo, ontem não foi muito diferente. Oportunidades não devem ser desperdiçadas, não importa quem esteja do outro lado. Quando isso acontece, o adversário cresce e começa a criar perigo. Ganha campo, escanteios, faltas, em suma, confiança. O gol é questão de tempo, como estão sempre dizendo comentaristas. Vacilou, o adversário chega ao placar. Às vezes, como ontem, vira.

APITO E POLÍTICA

Embora alguns torcedores não concordem, certas coisas não devem ser desprezadas no futebol. A trinca dinheiro-política-arbitragem é uma delas. 

Mesmo antes do árbitro Jefferson Ferreira de Moraes apitar o fim da partida, muitos torcedores já comentavam sobre a vice-presidência da CBF ter entre seus membros Ricardo Augusto Lobo Gluck Paul, presidente da Federação Paraense de Futebol. 

Isso porque a expulsão do zagueiro Eduardo Biazus foi vista como um erro de arbitragem. Nas palavras do técnico Fábio Matias, a expulsão condicionou o jogo. “O lance não era pra expulsão, se fosse muito enérgico era pra amarelo”, declarou. 

Se o cartão vermelho não bastasse, o gol de empate dos paraenses ainda gera discussão, com um possível toque de mão do atacante Ítalo ao dominar a bola.

REDES SOCIAIS

Quando CEO da SAF da Portuguesa, Alex Bourgeois, vai às redes sociais para falar em mudança de postura e de mentalidade da equipe dá sinais de que algo está diferente pelos lados do Canindé. Afinal, convenhamos, os mandatários de outrora não fariam isso. 

Horas antes, Eduardo Biazus havia saído na frente. O zagueiro utilizou o Instagram para fazer uma publicação na qual pediu desculpas à torcida e questionou a arbitragem. Para este assunto nada muda; para sua postura com a torcida tendo a considerar. 

Falando ainda em redes sociais, estas têm servido a outros propósitos também. Hoje quase tudo, se não tudo, passar por elas. O anúncio de que a marca Mansão Maromba irá patrocinar a Portuguesa rendeu diversas interações. 

Apesar de o clube ter uma parcela considerável de sua torcida acostumada à tecnologia analógica, é preciso olhar para frente. Por exemplo, os vídeos e fotos feitas com o influenciador Toguro renderam em 48 horas mais de 4 mil seguidores à conta oficial do time, que é mais do que a média de torcedores no estádio. Isso mostra que o futebol hoje é mais do que um jogo nas quatro linhas.

* Edgar Lopes, jornalista há mais de 25 anos, orgulhoso de ter gritado gols – muitos gols – de Dener, Tico, Bentinho e Cia. Vive entre o amor dos anos 90, a tristeza de 2002 e o ódio de 2013. ¿Te das cuenta, Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia… de novia, de religión, de Dios… pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín… no puede cambiar… de pasión. — Pablo Sandoval, em “O Segredo dos Seus Olhos”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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