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A coluna de hoje é uma reflexão sobre como o tempo passa e as coisas mudam. Com alguma paciência e um tanto de fé, espero que para melhor.
Por muitos anos, eu ouvia dizer que o “fundo do poço” da Portuguesa tinha sido 2006, com a queda para a A2 e o quase rebaixamento à Série C. De 2014 em diante, porém, acumulamos uma série de momentos ruins, quebrando aquele recorde negativo.
Mas há um dia em específico que levo na memória como o “fundo do poço” da nossa história (e espero que continue assim para sempre): 24 de fevereiro de 2019, há exatos sete anos. Portuguesa x Penapolense no Canindé, válido pela 9ª rodada da Série A2.
A Lusa foi a campo na zona de rebaixamento graças aos resultados do dia anterior. À época, já caíam apenas dois times e o único atrás da gente era justamente nosso adversário. Detalhe: ambos não tinham vencido até então. Oito jogos, o suficiente para um Paulistão no novo formato, e a Lusa não tinha sequer uma vitória.
Antes do jogo, clima hostil do lado de fora. A torcida fez diversos protestos. Foi a época dos ingressos a R$ 100. A bilheteria registrou a venda de duas inteiras e 14 meias. O resto dos 587 pagantes, como eu, entraram usando o tal do “carnê”.
Nas tribunas, Paulo Roberto, o técnico recém-contratado. Em campo, o interino cobria o demitido Luís Carlos Martins. Fim de primeiro tempo: 2 a 0 para o Penapolense. Diante de lesões, a Portuguesa precisou queimar suas três substituições antes do início da etapa final. No segundo tempo, teve espaço para mais: 3 a 0.
O clima na região parecia se adaptar à situação da Lusa. O sol ia embora e dava lugar ao vento e às nuvens escuras de tempestade que abraçavam o Canindé. Na escuridão, buscamos luz, mas encontramos somente uma lanterna. Reduzimos para 3 a 2. No dia seguinte, o ‘novo técnico’ pediu para sair antes mesmo de começar. Estávamos à deriva.
Mas aí tudo mudou. Nos cinco jogos seguintes vieram quatro vitórias. Nos salvamos e quase passamos de fase. Sabe-se lá o porquê: mérito dos jogadores, da comissão técnica, da diretoria… O risco de A3 (mais uma vez) tinha ido para longe.
No ano seguinte, passamos de fase na A2 e fomos campeões da Copa Paulista. Não subimos, mas ficamos com a esperança de que passar de fase se tornasse algo frequente – e uma hora o acesso viria. No terceiro ano consecutivo passando às finais, finalmente, subimos. Na elite, a preocupação em não cair parece cada vez mais dar lugar a um sonho constante de passar de fase. Como disse no início do texto: o tempo passa e as coisas mudam.
Há sete anos vivíamos o fundo do nosso poço. Em 2026, o 24 de fevereiro se dá entre um clássico de igual para igual nas quartas de final da elite paulista e um jogo de Copa do Brasil (pode parecer pouco, mas em 2019 não jogamos nenhuma partida oficial contra times de fora de São Paulo). Ainda está longe do nosso auge, mas nos permite muito mais otimismo. Quem sabe a tendência seja de que as coisas voltem a dar certo também em âmbito nacional. Não aguento mais a Série D!
Onde estaremos daqui a sete anos? Trago a resposta em 24 de fevereiro de 2033.
* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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