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André Carlos Zorzi: Não podemos ter medo do mata-mata da Série D

Lusa terá ao menos oito jogos no sistema eliminatório antes do acesso; desafio é superar histórico negativo na competição

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Troféu da Série D do Campeonato Brasileiro
Troféu da Série D do Campeonato Brasileiro (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

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Faltando menos de um mês para o início da competição, a CBF finalmente divulgou os grupos da Série D 2026. As mudanças desta edição são positivas à Lusa, ao meu ver, mas diante do nosso histórico na competição, é necessário cautela.

Na primeira fase, enfrentaremos Madureira, Portuguesa e America (Rio de Janeiro), Pouso Alegre (Minas Gerais) e o Água Santa (na Série A2 de São Paulo, mas atualmente líder e brigando para subir). Levando em conta que avançam quatro, não é exagero afirmar que passar de fase é obrigação.

O mínimo que disputaremos são esses dez jogos iniciais. Mas para o acesso, nosso grande objetivo do ano, são no mínimo mais oito partidas – todas de mata-mata.

Já na segunda fase, o adversário virá de outro grupo com três fluminenses, Nova Iguaçu, Sampaio Corrêa e Maricá, além de três clubes paulistas que sempre ‘engrossam o caldo’: XV de Piracicaba, Noroeste e Velo Clube. Totalmente possível de avançar, ainda que já dê mostras do quão competitiva a competição pode ser.

Os clubes que passarem à terceira fase terão garantida sua participação na D também no ano seguinte, algo que para nós é indiferente, pois já conquistamos esse direito via Paulistão. Ainda há mais duas fases para que sejam definidos quatro acessos e as semifinais da disputa pelo título.

Quem for eliminado na quinta fase, porém, ganha o direito a disputar uma repescagem por mais duas vagas na Série C. Sem querer ser pessimista, porque acho que nosso objetivo é o título, mas caso haja um percalço no meio do caminho, isso pode fazer toda a diferença para a Lusa.

O problema aqui é outro. Nosso retrospecto em Séries D. Em nossas três participações, ficamos pelo caminho logo na primeira fase em 2017, e caimos no primeiro mata-mata disputado tanto em 2021 quanto em 2025. E de nada adianta surgirem mais vagas se a Portuguesa tem dificuldade em fazer o básico: avançar nos jogos eliminatórios.

Na coletiva de 5 de março, o presidente Alex Bourgeois chegou a comentar que o “perfil comportamental” dos jogadores do elenco do ano passado era mais propenso a ser campeão nos pontos corridos, deixando a desejar em mata-matas. Ainda que eu entenda a diferença entre os dois tipos de competição, em princípio, me soa estranho. Há um grau de qualidade que, quando atingido, a tendência é de superar qualquer que seja o modelo de disputa. Os times do Palmeiras ou do Flamengo (para ficar em dois multicampeões) nesses últimos anos, por exemplo, são capazes de jogar apenas um tipo de competição?

De qualquer forma, fica a esperança de que o time desse ano embale e seja o mais temido entre todos os concorrentes. Quem sabe depois de uma década de martírios a gente volte à Série C. Eu acredito!

PS: Falando em concorrentes, entre clubes com tradição ou com um retrospecto recente interessante, eu destacaria 19 equipes (além de nós) que, em princípio, não causariam grande surpresa se subissem de divisão – ainda que alguns, como Joinville e America, não figurem sequer na primeira divisão estadual. Fora as surpresas que com certeza surgirão. Dá para ter uma noção de que não será fácil. Rumo ao acesso!

Nacional-AM
Gama-DF
Brasiliense-DF
Tuna Luso-PA
Sampaio Corrêa-MA
Ferroviário-CE
ABC-RN
América-RN
Treze-PB
Retrô-PE
Asa de Arapiraca-AL
CSA-AL
Tombense-MG
América-RJ
Portuguesa-RJ
Água Santa-SP
XV de Piracicaba-SP
Joinville-SC
Brasil de Pelotas-RS

* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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