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André Carlos Zorzi: O tetra não veio, mas fica uma história bonita

Torcida da Lusa encerra o Paulistão 2026 tendo boas memórias

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Há pouco mais de um mês, no dia 17 de janeiro, a Lusa ia a campo contra o Velo Clube num clima de incertezas. Duas derrotas nas rodadas iniciais e um duelo que pensávamos ser de confronto direto contra o rebaixamento. Ganhamos, ainda que com sufoco no 2º tempo.

O jogo era crucial porque em seguida viria o São Paulo no Morumbi. Ali veio a vitória com V maiúsculo. Muitos torcedores ‘viraram a chavinha’ e passaram a falar em classificação. Outros ainda pediam cautela. E veio a derrota em casa para o Guarani. Fora do G-8, apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento. “Mais um ano a ver navios”, foi o que se ouvia.

Contra o Primavera, isso parecia se concretizar. 1 a 0 no placar. Eles indo a dez pontos, nós estacionando em seis. Se o Noroeste e o Botafogo vencessem no dia seguinte (e venceram), apenas o Santos nos separaria da zona de rebaixamento. E ainda faltaria um potencial “jogo de desesperados” contra a Ponte e uma epopeia em Mirassol – mais uma!

Mas aí Fábio Matías mexeu. Cadorini e Cauari entraram e viraram o jogo em menos de cinco minutos. Aquela montanha-russa de altos e baixos que nos acompanhava no campeonato até então se deu também dentro do próprio jogo.

A Ponte foi ao Canindé com um time apático. Nós fizemos a obrigação. Os resultados ajudaram: classificação antecipada. E desta vez não foi por uma brecha de regulamento, como o de 2024: nós realmente estávamos entre os melhores times.

Pelo mando nas quartas, nos impusemos também em Mirassol. Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro… Todos os times da elite tentaram vencer lá no último Brasileirão. Nenhum conseguiu. Foi a Lusa quem acabou com a invencibilidade.

E valeu a pena, porque dessa vez o mando não foi simbólico. Não teve jogo em Brasília, ou no Pacaembu. Foi no Canindé, com duas torcidas que compareceram em peso.

Como foi ao longo do Paulistão inteiro, a nossa despedida também foi de altos e baixos. Teve pênalti perdido quando estava 0 a 0. A zaga deles falhou em isolar uma bola, e fizemos de longe. Criamos outras tantas chances. Nos esforçamos de todas as formas – a torcida inclusa.

E quando faltava só alguns minutos, veio o empate. E o pênalti defendido, que colocou o astral lá em cima. Acharam que dava pra redimir o erro do tempo regulamentar. Não deu certo. Mas não enxergo vilões: a impressão que fica é a de que todos fizeram tudo que podiam.

O tetra ficou para o ano que vem. Mas 2026 ganhou um espaço importante na memória do torcedor rubro-verde. Apesar de tudo, foi uma história bonita.

E o que vem pela frente?

É fato que haverá mudanças na equipe. É improvável que um time que jogue bem o Paulistão consiga manter o elenco inteiro para a Série D, que é o nosso foco. Mas vejo com otimismo: quem sabe os que estão por vir não sejam até melhores do que os que possam sair?

Quinta-feira tem mais. Pode ser só mais um jogo de Copa do Brasil. Mas também pode ser o início de outra história bonita. Vamos à luta!

* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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