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A tarde de 7 de fevereiro tinha tudo para ser especial. Jogo às 16h, time vindo de uma virada suada contra o Primavera, em Indaiatuba, três vitórias em quatro jogos, elenco à disposição do técnico Fabio Matias e expectativa de bom público com gratuidade para o plano Free, no sócio torcedor. Para além disso, a SAF prometeu melhor organização para evitar os transtornos ocorridos no jogo contra o Guarani.
Mas era jogo da Portuguesa, a mesma que causa espanto nos seus adeptos por tantos episódios em que certas frases parecem uma oração.
“A Portuguesa só depende dela para se classificar e perde.”
“Quando o Canindé enche, o time treme.”
“A Lusa vence adversários difíceis fora, mas não ganha dos mais fracos em casa.”
“Estreia de camisa nova a Lusa sempre perde.”
“Se chover, se fizer sol, se for lua cheia, se não for ano bissexto. E a Lei do Ex…?”
O torcedor lusitano sabe de cor todas as “maldições” que pairavam sobre o Pari.
Muitos, porém, especialmente os que não vão ao estádio com certa frequência, parecem não se dar conta de que se esse lugar ainda tem vida é porque existem pessoas que o ocupam, fazem a energia circular.
Com o check-in da partida fechado, a expectativa não passava de 7 mil presentes. A previsão de chuva e até de tempestades gerou apreensão de que parte dos torcedores ficaria em casa. Na prática, compareceram 6.705.
Para os supersticiosos que estiverem lendo essas linhas digo que a chuva deste último sábado foi diferente de todas que peguei nas arquibancadas do Dr. Oswaldo Teixeira Duarte. Ao mesmo tempo que a água estava gelada, o clima do jogo seguia quente. Do outro lado não estava um adversário qualquer e sim uma Ponte Preta que lutava pela sua sobrevivência.
E falar de Ponte Preta e chuva sempre traz memórias.
Em 2009, no mesmo Canindé, depois de perder uma quantidade absurda de gols contra o Santo André e vencê-lo por somente 2 x 1, a 80 km dali o time de Campinas levou uma virada inacreditável do Santos, com um controverso gol de pênalti em que o zagueiro pontepretano colocou a mão na bola e o 2 a 3 para os santistas eliminou a Portuguesa por pelo saldo de gols — neste caso o da diferença no placar, somente um. Assim que a partida na capital terminou, veio um verdadeiro dilúvio, para estragar a eliminação lusitana.
Quinze anos depois, testemunhei a mesma Ponte Preta vencer a Portuguesa no Canindé, com um ataque digno de um “Casados x Solteiros”. Era uma quarta-feira à noite, chuva gelada, sabendo que trabalharia cedo no dia seguinte. Naquele dia prometi a mim mesmo que nunca mais me submeteria àquilo. Principalmente se tratando do “cavalcantismo” em campo vestindo rubro-verde, uma versão ainda pior do dinizismo ao qual abomino.
Em 2025, agora pela série D, queimei a língua e voltei numa tarde chuvosa (chuva e Portuguesa são quase sinônimos, percebem?) para ver a Lusa vencer o Rio Branco-ES, com o aditivo de passar uma raiva danada diante da teimosia do “almeidismo”, mas ainda assim conquistando os três pontos e um resfriado “de brinde”.
No último sábado, enfim, foi diferente em vários aspectos. Vitória segura, sem sustos pela situação do adversário, com Bertinato limpando a barra da defesa em momentos cruciais, quando as bolas aéreas na área lusa causem calafrios na torcida.
O melhor tecnicamente acabou sendo Gabriel Pires, finalmente desencantou e desabafou, mas a torcida nem deu bola para a provocação, muitos só viram no replay de seus celulares. Nada que justificasse tal atitude, pois o jogador demonstrar vontade em campo não faz mais do que a obrigação.
Zé Vitor mais uma vez deu a brecha para Denis pedir passagem. Cadorini mostrou que saber esperar na juventude é uma virtude, e foi coroado com mais um gol.
Por falar em juventude, Caio Roque esbanja técnicas e dribles, coisas que desde Victor Andrade não se via num jogador vestindo o manto rubro-verde — mas também pode ser branco.
Fabio Matias tem tirado leite de pedra desse elenco fragilizado, com algumas saídas e com contratações ainda contestáveis. É nítido que ele tem repertório e isso me agrada muito, dadas as devidas limitações (técnicas e financeiras).
Tá bom, Bruno, mas e a chuva?
Se o suor em Indaiatuba fez milagres, a chuva sem pausas limpou certos traumas, medos e angústias, para deixar o ar do Canindé mais puro e leve nem que fosse só por uma tarde e (por que não?) por mais sete dias de paz até domingo que vem, em Mirassol, podendo garantir uma vaga no G4 ao fim da primeira fase, o que não acontece desde 1998.
No sábado, a Portuguesa quebrou mais um tabu. Desde 2015 não vencia a Ponte e ao garantir a classificação ao playoff no domingo à noite, encurtou os intervalos que vinham acontecendo a cada 13 anos — como entre 1998 e 2011 e entre 2011 e 2024 — para dois anos neste 2026.
A vaga para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2027 também foi assegurada, mas, com toda a certeza, torcedor algum espera que a Portuguesa jogue essa divisão além deste ano. O acesso é a Série C, não pode ser discurso; é Missão!
Para fechar, no domingo, um torcedor me mandou uma mensagem educadamente: “Não se diz voltaremos. Se diz estamos voltando.”
Eu respondi: “Voltaremos. Ao destaque positivo e constante no cenário nacional. À disputa frequente de títulos. E à Série A.”
Eu não sei quando será. Só sei de uma coisa.
#VOLTAREMOS.
* Respirando futebol desde 1988, Bruno Lucena administrador por formação, gestor de produtos digitais por escolha, e lusitano por amor genuíno. Nesta coluna, compartilho reflexões e análises de quem aprendeu que no futebol, e na vida, esperança não se explica, se carrega até o apito final. Até o último tremoço, pipoca e amendoim.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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