Foto: Antonio Cicero/Fotoarena/Folhapress

Lucas Ventura, para o Portal da Band

“Estou decepcionado com o que estou vendo em termos físicos”. A declaração não assustaria, não fosse dita por um preparador físico renomado no futebol brasileiro. Com mais de 30 anos na profissão, Flávio Trevisan, agora na Portuguesa, não aprova a atual situação das equipes do país em relação à parte física.

Depois de trabalhar em grandes clubes, como Corinthians e Grêmio, o profissional voltou ao Brasil após passagem pelo Catar. Sua primeira impressão no retorno está muito longe da ideal, de acordo com ele. “Mas a culpa não é apenas do preparador, e sim da comissão técnica toda”, disse Trevisan, ao Portal da Band.

Um dos pontos comentados pelo preparador físico é a comparação com o futebol europeu. Para Flávio Trevisan, os profissionais no Brasil tentam imitar os europeus. Mas só tentam. E um exemplo é citado.

“O que se faz na Europa é muito mais do que aqui no Brasil. Aqui se copia 30% de lá. O atacante e o zagueiro voltam andando para recompor, por exemplo. Na Europa isso não existe. Nós temos os melhores preparadores, mas eles não desenvolveram”, afirmou.

O novo preparador da Lusa, clube que disputa a Série C do Campeonato Brasileiro, ainda alfinetou os profissionais que viajam e ficam alguns dias para tentar aprender com os estrangeiros.

“Copiam só 20% ou o que viram na internet. Vão pra Europa, ficam poucos dias e pensam que aprendem. Se é pra imitar, imita 100%”, bradou.

Trevisan ressaltou que é preciso observar os trabalhos realizados no exterior para saber o que implantar, e lembrou da convivência que teve com grandes profissionais.

“Vejo muita gente falar que quer fazer treinamento igual da Europa, mas ficar só uma semana não adianta. Trabalhei fora do país e pude observar os treinos do Bayern de Munique por doze dias. Primeiro com o Van Gaal, depois com o Heynckes e, por fim, com o Guardiola”, declarou.

“Não estou contente em ver os preparadores fazendo joguinhos em campo reduzido 10 x 10”, concluiu Flávio Trevisan, bastante irritado com a forma como sua profissão vem sendo gerida.

Foto: Antonio Cicero/Fotoarena/Folhapress