Foto: Divulgação/Portuguesa

Por Elcio Mendonça*

Quinta-feira a Portuguesa viveu um dia de eleição, mas o nosso clube é democrático? A pergunta, em um primeiro momento, pode soar tola. Afinal de contas, poder escolher seus representantes é a base de qualquer democracia pelo mundo afora.

Entretanto, é preciso olhar além do pleito em si, ter uma visão macro do acontecimentos. Foram eleitos 40 conselheiros, que se juntarão a outros 80 escolhidos em 2017. Juntos somam 120 votos no Conselho Deliberativo. Pode parecer muita coisa, mas representam apenas 30% do total de membros.

Os outros 270 não foram eleitos, tampouco são substituídos a cada seis anos. Tratam-se de conselheiros vitalícios ou natos, que têm presença garantida no Conselho.

Em tempos de um clube em queda livre, mudanças são mais do que necessárias, são a chance de lutar pela sobrevivência. Mas como conseguir isso se lá sempre estarão os mesmos? Isso não soa muito democrático.

Voltando à eleição, vale lembrar que ela aconteceu de maneira excepcional. O Estatuto do clube, em caso de anistia, tira os direitos políticos do associado, algo que não aconteceu dessa vez. Não só foi possível votar, como também se candidatar.

A anistia, inclusive, durou até o dia da votação, com o pagamento sendo realizado na mesa de triagem dos associados, o que, cá entre nós, facilita uma possível compra de votos.

Ao todo, pouco menos de 600 associados votaram, mais da metade através da anistia. Até para encontrar o mínimo de 60 candidatos foi difícil. Alguns aceitaram incluir seu nome só para completar a lista (que ao todo teve 61 nomes), mas sequer votaram em si próprios.

Diante deste cenário, faço a pergunta: existe a necessidade de um Conselho Deliberativo? A existência deste poder fazia todo o sentido no passado, quando a Portuguesa contava com dezenas de milhares de sócios e era necessário escolher alguns para representarem o todo. Hoje já não é mais assim.

Vejam bem. Menos de 600 pessoas votaram. Ou seja, o atual quadro de membros do Conselho representa mais de dois terços do número de sócios ativos e em dia no clube. Sendo assim, por que não ter a participação direta do associado na política? Além de oxigenar a Lusa, trazer um fôlego novo, aumentaria o desejo do torcedor em se associar. Poderíamos extender tal participação até para o sócio-torcedor.

Somos um dos poucos clubes que a votação para presidente é indireta. Vejamos o Internacional de Porto Alegre como exemplo. Os quase 70 mil sócio torcedores têm direito a voto direto para a presidência.

Sendo assim, é extremamente necessário alterar o Estatuto e modernizar a Associação Portuguesa de Desportos. É preciso mudar para sobreviver…

*Lusitano desde o berço, Elcio Mendonça é jornalista pós graduado em Gestão do Esporte. Atualmente trabalha como Gerente de Esportes na RedeTV!

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7 COMENTÁRIOS

  1. A realidade é que temos que ter apenas um Conselho de Administração,eleito diretamente pelos sócios e sócios torcedores, e composto por no máximo 6 pessoas, com o presidente tendo o voto de desempate. Diretorias remuneradas, auditoria regular e clube social enxutíssimo. Focar no futebol profissional e na base.

  2. Concordo com os comentários do Rodolfo e do Sergio, mas isto é um sonho, tendo em vista, que mais de 80% do conselho é composto por conselheiros que não tem nenhum interesse nessas mudanças para uma democratização mais justa e inteligente, que pensem somente no clube e não em si próprio, suas vaidades e rancores contra quem está no poder.
    Complementando, as últimas 4 gestões foram desastrosas, sendo que os mesmos deveriam ser BANIDOS do clube. Eu disse BANIDOS e não BANDIDOS.

  3. Elcio,
    Parabéns pelo artigo!
    O processo de renovação só começou!
    Como um dos que espera por esta mudança, podemos conversar e trocar algumas idéias?
    Qual seu e-mail?
    Forte abraço!

  4. Depois que fui no jogo contra a Ferroviária e vi aquele matagal no estacionamento, madeiras velhas bem na entrada do estádio,,,, pergunto: O que vocês conselheiros ainda estão fazendo aí ???

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