Foto: Reprodução/Bandsports

Depois da péssima sequência de resultados da Lusa neste início de ano, algumas mudanças foram anunciadas nesta quinta-feira. O consultor de futebol Emerson Leão, que chegou em janeiro para ajudar na montagem do elenco, anunciou que não fará mais parte do projeto. A decisão partiu do ex-treinador.

“Faz uns 15 dias que resolvi comunicar que meus dias de colaborador estavam no limite. O presidente me ligou e perguntou se eu queria conversar. Não participei dos últimos quatro jogos. Algumas coisas conversadas não foram cumpridas. Eu sempre fui justo. Quando começam as injustiças, complica”, disse Leão em entrevista ao Globoesporte.

“Eu estou lá para apoiar. Eu não escolhi treinador, preparador físico. Eu só coloquei o medico e o gerente de futebol, que não tinha. Nenhum jogador eu coloquei. Eu sou voluntário. Não sou funcionário. Podia sair a qualquer hora, por isso que não levei ninguém. Não acreditavam que eu chegaria às 8h da manhã por vários dias, como fiz. Chegava até quando não tinha porteiro e eu tinha que descer do carro para abrir e fechar o portão. Fiz tudo de coração”, completou o ex-goleiro após anunciar seu desligamento do clube.

Leão também criticou o presidente Alexandre Barros, que o convidou para fazer parte do comando do clube. “Vida dele toda foi ser jornalista. Agora ele é o presidente. Ele se assustou com tanta coisa que caiu na mão dele. Só sei ajudar sendo justo. Ele está cumprindo com o que ele acha. Ele pediu que eu tomasse as decisões totais lá dentro. Minha função é estar lá. Chegava antes das 8h todos os dias. Pessoal achou que eu não iria. Uma vez que eu assumi, meu nome está em jogo. Deixou de ser aquilo que ele falou”.

O consultor também relatou a bagunça que existe dentro do clube, principalmente no momento de fechar contratações. Alexandre Barros teria recusado um jogador de 19 anos vindo do Palmeiras e, dias depois, fechou a contratação do meio-campista Rico, ex-São Paulo, que possui 36 anos. Tudo isso aconteceu sem o conhecimento de Leão.

“Eu tive que pegar um telefone e ligar para o gerente de futebol do Palmeiras (Cícero Souza) para pedir desculpas em nome da Portuguesa. Não deixaram o menino treinar. O presidente disse que ele nem trocaria de roupa. Três dias depois, aparece um jogador de 36 anos, seis meses sem chutar uma bola. Perguntei quem era? Disseram: ‘Mandaram aí’. A partir desse momento, nunca mais fui na Portuguesa. O de 19 anos não pode treinar e o de 36 pode? Aí não”.

Leão também reclamou da diretoria, que marcou shows no Canindé em três datas que a Lusa jogaria em casa. “Alguns times vão disputar 10 jogos em casa. Outros, nove, caso da Lusa. Sabe quantos postos poderíamos ganhar em casa? 27. Quando joga seis, disputa só 18 pontos. Conclusão: fica muito mais difícil. Essas coisas foram me aborrecendo”, explicou.

A saída de Emerson Leão vai contra o que disse o presidente Alexandre Barros, de que o ex-goleiro teria apenas saído de recesso.

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